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 Serviço de Certificação.
2 de Dezembro, 2019 - 18:01
SBC quer tornar-se referência de Bem-Estar Animal no Brasil e criar um selo próprio para certificar empresas que produzem proteína animal no país
     

 O Serviço Brasileiro de Certificações (SBC) é a primeira empresa certificadora particular do mundo a integrar o “Welfare Quality Network“, grupo integrado por professores e pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa da Europa que criou uma nova metodologia de avaliação de Bem-Estar Animal (BEA) nos sistemas de produção comercial, focada na observação dos animais e nos sinais que eles apresentam de conforto ou algum tipo de estresse.


O acordo foi ratificado no fim de outubro passado, durante o ‘10º Seminário de Welfare Quality’, realizado na Swedish University of Agricultural Sciences (Department of Animal Environment and Health), em Uppsala, na Suécia, na presença de quarenta especialistas da Suécia, Inglaterra, Áustria, Espanha, Dinamarca, República Checa, Bélgica, Noruega, Alemanha, Finlândia e Itália.O executivo do SBC, Matheus Modolo Witzler, Responsável GlobalG.A.P. da empresa, foi convidado a ministrar uma palestra e apresentou o trabalho realizado pela certificadora em quase duas décadas e detalhou como é o mercado atual da pecuária brasileira. "Nosso objetivo é trazer essa metodologia ao Brasil e desenvolver uma certificação que avalie o animal e seu bem-estar. Vamos iniciar com aves e suínos, cujo modelo brasileiro de produção é bem semelhante aos padrões europeus. E com gado de leite também, mas apenas com as unidades que atuam com intensificação, automação, confinamento e grandes rebanhos", explica Matheus Witzler.


O SBC é uma empresa certificadora que nasceu em 2002 com o objetivo de auditar protocolos que tragam mais segurança e comprometimento do setor produtor com o consumidor. Líder no protocolo SISBOV, atua em 30% do mercado brasileiro de fazendas certificadas, é também acreditada ISO/IEC 17065 para o protocolo GlobalG.A.P., nos escopos de frutas, vegetais e grãos, e realiza auditorias de rebanhos bovinos e de protocolos particulares, como o uso de energia renovável em indústrias e frigoríficos.


O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo e terceiro maior produtor. São 13 milhões de toneladas por ano e embarque de mais de quatro milhões de toneladas ao exterior. Em suínos, somos o quarto maior produtor e exportador, com 3,7 milhões de toneladas e perto de 600 mil toneladas, respectivamente. Já no leite, o país é o quinto maior produtor do planeta em volume, com 34 bilhões de litros ao ano.


O “Welfare Quality Network “ é uma rede nascida do grupo de ex-parceiros do projeto Welfare Quality, focada em qualidade do Bem-Estar Animal e que se concentra no intercâmbio científico e em atividades para contribuir para o desenvolvimento dos sistemas de avaliação do BEA, fornecendo conhecimento e serviços relevantes para apoiar os atores das cadeias de produção animal que desejam implementar ou usar esses sistemas. As atividades se concentram nas áreas de gerenciamento do sistema, instrumentos de suporte (incluindo treinamento dos parceiros da rede), manutenção do sistema, atualização, promoção do envolvimento das partes interessadas e facilitando as pesquisas. O gerenciamento da Welfare Quality Network cabe ao coordenador e presidente Harry Blokhuis e aos membros Isabelle Veissier, Mara Miele, Antoni Dalmau e Bryan Jones.


A Rede não tem financiamento ou apoio. O desenvolvimento e a execução de atividades exigem financiamento das partes interessadas e das agências de fomento à pesquisa. Hoje, alcança toda a União Europeia, além de tocar projetos no mundo inteiro. Mantém, ainda, um grupo de certificadores na Espanha e criaram um selo de BEA no país com gado de leite e corte. A metodologia de BEA criada pelo grupo, inclusive, está norteando a legislação e o trabalho de fiscalização que estão sendo renovados pelas autoridades suecas de Agropecuária. O grande diferencial dessa avaliação é ter o animal como centro de referência e não a estrutura e as equipes de trabalho, como normalmente é feito nas avaliações mais tradicionais.


"É, realmente, um novo paradigma na área. Eles pegam o animal e avaliam todos os sinais que apresenta. Mais de dez minutos de observação de todos os sinais vitais. Além disto, utilizam métricas de coleta de amostras, dados visualizados e avaliação dos resultados práticos", acrescenta Matheus.


O SBC Certificações tem planos ousados para o setor. Tornar-se uma referência de BEA no Brasil e criar um selo próprio para certificar empresas rurais do país. "Vamos trazer o grupo ao Brasil, fazer os primeiros pilotos, efetivamente, afinar o que precisa e sair avaliando os primeiros projetos. Gado de leite, aves e suínos. Inicialmente, não queremos mexer na metodologia, ferir o método já implantado por eles. Vamos treinar nossos auditores para terem condições de avaliar o animal. Depois, é pegar a metodologia pronta e incrementar em Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite. E criar um selo, da nossa empresa, que certifique as propriedades que seguirem o protocolo de BEA. Num terceiro passo, vamos estender o trabalho para a Pecuária de Corte, porém adaptado à realidade das nossas fazendas", detalha Matheus. Ele ressalta que essa adaptação vai levar em conta questões como tamanho da amostra, as características específicas das raças zebuínas, que predominam no Brasil, os diferentes tipos de sistema de produção, dentre outros. "Nosso desejo é chegarmos a uma avaliação precisa para o período pré-abate dentro da indústria, os sistemas de confinamento e também para a exportação de gado em pé, que tem o Brasil como líder mundial, tendo embarcado no ano passado 810 mil cabeças de bovinos vivos, mais do que o dobro do período anterior. Mas teremos que analisar bem nossas particularidades e promover os ajustes possíveis na metodologia para ela ser implementada aqui. Só assim para termos um método que avalie efetivamente o animal no Brasil", aponta o executivo do SBC.


E os próximos passos neste sentido já estão definidos. Na última semana, Matheus Witzler acompanhou a professora da Universidade SLU, Linda Keeling, que integra o grupo sueco, em São Paulo. Ela, que acompanha os trabalhos realizados em BEA pelo especialista brasileiro Mateus Paranhos, professor da Unesp de Jaboticabal (SP) e coordenador do Grupo Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Etco), proferiu uma palestra sobre BEA e Sustentabilidade durante o primeiro dia do ‘Simpósio Internacional de Bem-estar Animal’, promovido pelas organizações Proteção Animal Mundial e Humane Society International. Os primeiros projetos devem estar prontos antes do fim do primeiro semestre de 2020 e serão apresentados durante a edição do Seminário de Welfare Quality do ano que vem. “O SBC é a primeira certificadora particular do mundo a integrar esse grupo e isso vai ser fundamental para uma nova arrancada da empresa. No ano que vem, já vamos ter um programa desenhado, sólido, que vamos apresentar a eles na Europa. E

que consolide nossa atuação firme na questão de Bem-Estar Animal nos sistemas produtivos de proteína animal”, conclui Matheus Modolo Witzler.


 

Fonte: P do A.
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