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21 de Novembro, 2012 - 07:07
  Pedro Lima

   Pobre Mato Grosso rico (7)
     

A história da justiça eleitoral em Mato Grosso, bem como em todo o Brasil, no que concerne ao processo de apuração de votos, com certeza não é motivo de orgulho para o pais. Pelo contrário, foi um período muito vergonhoso. Muitas carreiras políticas foram encerradas prematuramente e outras desfrutaram de mandatos não outorgados pelo eleitor; mas sim, pelas famigeradas mesas apuradoras. Principalmente, nas eleições legislativas em que os candidatos não tinham estrutura de fiscalização que abrangesse todo o Estado.

Além do que era um tal de anular urnas, urnas que já vinham prontas, defuntos que votavam, eleitores que em determinadas regiões de cidades vizinhas votavam em três cidades e urnas diferentes, fazendas que abrigavam urnas e colocavam tambores de gasolina nas pistas de pouso para impedir a aterrisagem de aviões que conduziam fiscais dos partidos contrários ao do fazendeiro et cetera.

Duas urnas ficaram famosas por terem decidido duas eleições para o senado da República. Uma delas foi a da fazenda “Tamarineiro”, que de tão famosa, o seu proprietário levou a alcunha de “Nhô Tamarineiro.” Essa urna derrotou o ex- interventor Julio Müller na eleição para o senado em 1954. Outra urna que ficou famosa foi a urna do Café. Cafelândia era uma corrutela de garimpo que ficava do distrito de Alto Garças município de Alto Araguaia, que tinha dois outros distritos Ponte Branca e Itiquira. Filinto Müller havia sido eleito, empossado e já exercendo o mandato quando a urna do Café foi anulada e ele perdeu o mandato por 17 votos. Interessante ressaltar que nos dois episódios quem manipulou as duas urnas foi o mesmo personagem: João Villasboas que era adversário direto de Júlio e Filinto e se tornou senador em ambas as ocasiões. Vilasboas era um verdadeiro alquimista em mudar resultado de urnas.

A carta constitucional de 1946 aumentou a representação do senado em três senadores por estado, o que deu ensejo à eleição de um senador em Janeiro de 1947, coincidindo com a eleição para governador, prefeito, vereadores e deputados estaduais. Conheci Filinto pessoalmente em 1946, quando juntamente com Arnaldo Figueiredo disputavam: ele, a terceira vaga do senado; Arnaldo; o governo do Estado, e meu pai, coronel Ondino Lima, a prefeitura do município de Alto Araguaia.

Saímos de Alto Araguaia com a caravana completa. O nosso meio de transporte foi um caminhão Chevrolet ano 1946, de propriedade do Cacildo Hugueney, que era prefeito ainda nomeado pelo interventor Júlio Müller, o qual dirigia o caminhão (nessa época se dizia guiar), na cabine, que nesse tempo se dizia (boleia) foram o Filinto e o Arnaldo; os demais no pau de arara. Mas nenhum leitor deste artigo pode fazer idéia da alegria e do entusiasmo reinante na caravana, todo mundo cantando o hino do PSD.

No primeiro dia passamos em visita às lideranças de Alto Garças e, à noite houve um grande comício. Na nossa caravana havia três candidatos a deputado estadual, Clovis Hugueney, Guilherme Vitorino e Humberto Marcílio. Todos os três com domicílio eleitoral em Guiratinga e todos foram eleitos. No Mato Grosso uno geograficamente éramos Leste, e a região ainda elegeu Heronides Araujo por Torixoréu e Barra do Garças e Rachid Mamed por Poxoréo. Passamos o dia seguinte em Itiquira, tendo havido um grande comício à noite ,e, no dia seguinte Filinto e Arnaldo pegaram avião teco teco de dois lugares e prosseguiram a campanha em outras plagas. Foram todos eleitos, Filinto; para o senado, Arnaldo, governador; o meu pai, Ondino Lima, prefeito, juntamente com todos os candidatos a deputado, A UDN não elegeu deputado algum na região Leste.

No decorrer de dois dias enfrentando poeira e barro, eu ainda jovem de treze para catorze anos, convivendo com homens de uma grandeza moral extraordinária, vendo nascer um partido de verdade tomei gosto pela política. Aprendi a ser leal, a respeitar e admirar não apenas os companheiros, mas também os adversários de valor. Creio com imensa tristeza que esses tempos não voltam mais. (continua).

Pedro Lima é analista político e advogado. E-mailaurorazalden@hotmail.com

Fonte: Olhar Direto

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