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22 de Outubro, 2012 - 08:08
  MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

   Receita de sucesso
     

Avenida Brasil se tornou assunto obrigatório em quase todas as rodas de conversas no país

Mesclando sentimentos tão atávicos, antigos, quanto presentes na existência humana, como o desejo de vingança, ódio, mau-caratismo, ingenuidade (quando não burrice, mesmo!) e a eterna e insaciável sede de justiça, a novela “Avenida Brasil”, cujo último capítulo foi ao ar na sexta-feira (19), com direito a reprise na noite de ontem (20), bateu recordes de audiência na história da dramaturgia brasileira – segmento em que reina absoluta a Rede Globo de Televisão com suas novelas e minisséries, cujas produções contam com recursos tecnológicos e humanos de primeira linha.

Com a emissora da família Marinho destacando-se, nesse setor, bem à frente das demais concorrentes na área de TV, não só do Brasil, mas de todo mundo. Tendo suplantado, inclusive, o México, país que, até há cerca de duas décadas, reinava como maior produtor de dramalhões telenovelescos do planeta. De qualidade inferior, sob todos os aspectos, convém ressaltar, aos produzidos pela Globo, mas que encontrava (e ainda hoje encontra, porém em menor escala) mercado consumidor no próprio Brasil e, sobretudo, nas nações que têm o espanhol como língua. Com estas últimas, por questões de idioma e cultura, obviamente, possuindo um público mais chegado às “churumelas” mexicanas, com enredos onde, via de regra, o que não faltam é o pai dominador, insensível e ignorante, a mãe passiva e a mocinha sofredora por não ter liberdade para dar vazão a seus sentimentos amorosos.

Já na novela global, durante sete meses, ao longo de 178 capítulos, não houve paixões reprimidas a ferro e fogo e ao contrário o amor foi liberado, com mulher tendo direito a dois, três homens, de forma aberta ou às escondidas, assim na base do “chiframento” amplo, geral e irrestrito. E até cerimônia de casamento de um só marido com três esposas. Essa licenciosidade, talvez, tenha sido o tempero principal que alavancou a trama escrita pelo autor João Emanuel Carneiro, que sabe manejar as ferramentas que despertam emoções e conseguem prender as atenções dos telespectadores.

“Avenida Brasil”, ou a “novela da Carminha”, como ficou mais conhecida – aliás, marcada pela simplicidade e não por conceitos intelectuais refinados -, veio num crescimento que, nos últimos dois meses, se tornou assunto obrigatório em quase todas as rodas de conversas no país, inclusive naquelas formadas por machos, tradicionalmente avessos a discussões do gênero e mais afeitos a debater temas como futebol e, em épocas eleitorais, como agora, a fazer prognósticos sobre quem vai vencer as eleições. Além, obviamente, de defender, nessas rodadas de bate-papos, qualidades que eles enxergam em seus candidatos preferidos, agindo ao inverso quando se trata de adversários, qualificados, pelos marmanjos, como “ladrões”, para dizer o mínimo.

De forma simples, sem extravagâncias cerebrais, “Avenida Brasil” conseguiu a façanha de romper paradigmas encravados no dia-a-dia, deixando de ser assunto de salões de beleza e outros locais propícios ao ajuntamento de mulheres, para ficar em pé de igualdade com, quando não suplantando, discussões futebolísticas e políticas.

E no horário em que era transmitida, parou o Brasil!

Mário Marques de Almeida é jornalista. www.paginaunica.com.br. E-mail: Mario@paginaunica.com.br

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