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7 de Junho, 2011 - 14:19
  Gabriel Novis Neves

   Cegueira
     

Tenho um amigo e colega muito querido. Ele é um pouquinho mais jovem que eu. Pelas estatísticas poderia chegar a um empate técnico de idade. Mas não pretendo apelar. Sou mais velho que ele e grande admirador de toda a sua enorme família. Gente extremamente ética e religiosa, com o DNA da educação.

omo trabalhadores íntegros, os membros dessa notável família sempre estiveram combatendo os maus hábitos na política. Exerceram com a maior dignidade a oposição. Um dos ilustres irmãos desse meu amigo foi cassado quando exercia o mandato de deputado federal. Não por corrupção, mas pelas suas idéias libertárias. O meu colega foi educado e cresceu nesse ambiente - de jamais perdoar um deslize ético. Militante apaixonado do partido da oposição e intransigente defensor dos valores morais deste país de bandalheiras.

Com esse discurso seu partido chegou ao poder há oito anos, e aquele que era um partido ético nunca mais foi o mesmo. O meu colega permaneceu anestesiado pelo discurso demagógico.

O novo governo não mudou absolutamente nada. Continuou com a mesma política econômica e programas sociais. O discurso, entretanto era de oposição a tudo que herdara.

Com forte apoio da mídia, criou-se o mito. Surge o inventor do inventado. A Regina Duarte quase foi estrangulada quando disse que estava com medo.

Os defensores da ética descobriram os garimpos da corrupção. Gostaram do negócio e expandiram os seus apetites vorazes adormecidos. Implantaram um enorme aparelho para explorar as nossas minas de ouro.

Inventaram novos métodos de transporte das nossas riquezas: cuecas, meias, sapatos, bolsas, paraísos denominados de fiscais, consultorias.

Quando presos em flagrante delito a desculpa foi padronizada: eu não sei de nada. Vou apurar os fatos - que jamais foram apurados. E nascia mais um filho da ladroagem, chamado impunidade.

E o meu ético colega e amigo o que pensa, inclusive do último estouro criminoso na Casa Civil?

"Isto sempre existiu" - é a justificativa.

Ora bolas! Não foi exatamente para combater esses crimes que os atuais gerentes do Brasil chegaram lá?

A verdade é que mais uma vez o povo brasileiro foi vítima da propaganda enganosa e do revanchismo. Os antigos defensores dos bons costumes experimentaram a fruta do poder, mandaram os seus valores às favas e disseram que dessa fruta, comem até o caroço.

O meu colega insiste na defesa que um erro justifica o outro. É a cegueira da paixão política, ou como diz a minha cozinheira: “todos os políticos são farinha do mesmo saco.”

Gabriel Novis Neves

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